Criada em 2004, no Teatro Vila Velha (Salvador – BA), A Outra Companhia de Teatro é um grupo de teatro que desenvolve ações em diversas áreas do setor criativo: pesquisa, criação, montagem e difusão de espetáculos; intercâmbio cultural com artistas e grupos cênicos do país; formação, capacitação artística e mediação cultural; produção de eventos; registro e memória.

Constituído por artistas de diversas formações e origens, o grupo desenvolve uma pesquisa que valoriza o discurso de seus integrantes na construção das cenas, efetivando uma poética que sublinha o jogo entre atores, plateia, música e elementos cênicos, seja ao encenar obras autorais ou adaptar textos.

Em 2010, a companhia passa por uma reestruturação no corpo artístico, o que implicou numa mudança na forma de criação. Os seis integrantes passam a interferir de forma direta na concepção dos espetáculos. Três anos depois, o grupo passa a ter uma sede própria no bairro do Politeama, a Casa d’A Outra.

Ao longo de sua trajetória, encenou 13 espetáculos, circulou por diversas cidades brasileiras, participou de festivais e mostras de artes cênicas, realizou oficinas, seminários e ações na área de formação, além de estabelecer zonas de troca e interação com artistas e grupos cênicos do país.

Desde 2014, desenvolve ações contínuas de diálogo com comerciantes e moradores do bairro do Politeama. A companhia cria o Movimento Poli-Te-Ama, que promove apresentações teatrais e musicais na localidade, através do esquema Pague Quanto Quiser, em que o espectador paga o valor que acha condizente a obra e sua realidade. Desse modo, estimula-se um consumo mais democrático e acessível.

Do ponto de vista cênico-dramatúrgico, estas mudanças interferem diretamente no modo de criação do grupo que mergulha numa pesquisa em torno do teatro documentário, trazendo à tona urgências da realidade sob o véu da ficção, borrando os limites da verdade e convocando o público a apreciar a obra artística através de outros pontos de vistas evocados em experiências cênicas.

Nesse contexto surgem os espetáculos mais recentes e com maior reconhecimento e impacto na cena teatral baiana/soteropolitana, desdobrando em temporadas, circulações e apresentações em eventos, de modo a validar a pesquisa do grupo, sem cristalizar uma estética ou modo de criação. São eles: O que de você ficou em mim, documento cênico-biográfico que celebra os 10 anos do grupo expondo as entranhas do trabalho coletivo; e Ruína de Anjos, uma criação documental sobre as minorias do centro urbano invisibilizadas diante da violência e marginalidade.

Vislumbrando maior diálogo com o bairro, o grupo que já investia no estudo da música para cena, cria o projeto Música de Quinta. A iniciativa toma corpo e envolve os comerciantes, que tornam-se parceiros efetivos do grupo. Os moradores ficam sensibilizados com estas ações que trouxeram mais movimento ao bairro atingido por assaltos, sequestro, estupro e violências decorrentes da marginalidade exposta.

Para além das características artísticas, o Música de Quinta torna-se um ato impactante na esfera social, política e cultural do Politeama, agregando outros artistas e linguagens para além da música e do teatro.

Com metade de seus integrantes tendo iniciado suas carreiras fora da capital, as referências e ações no interior da Bahia são uma constante na trajetória do grupo. Através de espetáculos, oficinas, intercâmbios e debates, A Outra busca intensificar essa relação, colaborando, especialmente, com a formação de artistas que tal qual seus integrantes formam-se através de contatos esporádicos com grupos/artistas em circulação.

Ainda no âmbito da formação, os procedimentos de pesquisa, produção e gestão d’A Outra fortaleceram-se através da troca de práticas e reflexões com outros artistas e grupos baianos, nacionais e internacionais. Desse modo, entende-se que o compartilhamento de saberes é fundamental para o desenvolvimento do trabalho coletivo, portanto, constantemente propõe/participa da realização de oficinas, workshops, debates e intercâmbios.

Pensando no elo entre arte e educação, desde 2006, A Outra desenvolve um programa de mediação cultural aproximando sua prática às escolas, associações, ONGs e grupos culturais. Cedendo convites, ofertando ações formativas, promovendo debates, o grupo já atingiu diretamente mais de 15 mil pessoas, de crianças e idosos, muitos tendo seu primeiro contato com a arte teatral seja em teatros, salas, auditórios, quadras ou espaços não convencionais, como a Casa d’A Outra.